Geoparques no MundoO projeto 'Geoparque dos Campos Gerais' foi um dos temas tratados durante a reunião do Grupo Gestor do projeto 'Gestão & Planejamento de Destinos Turísticos' do Ministério do Turismo e do Instituto Marca Brasil nesta segunda-feira, dia 11. Para apresentar o assunto aos integrantes, o professor do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Gilson Burigo Guimarães foi convidado. A intenção do Grupo ao ouvir projetos em adamento é somar força aqueles de interesse turístico que envolvem a região.
O professor deu início à apresentação esclarecendo o conceito de Geoparque, já que em Ponta Grossa o assunto já foi mal interpretado por alguns atores locais. "Os Geoparques são desvinculados ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação", explica Burigo, destacando que a criação destas áreas não envolve a desapropriação. "Não tem artifícios legais para isso", completa.
Hoje a Rede Global de Geoparques conta com mais de 60 áreas detentoras do título no mundo. "Estas áreas se concentram principalmente na Europa e no leste da Ásia. No Brasil há somente uma: o Geopark Araripe, localizado ao sul do estado do Ceará", enumera o professor. Além deste, há mais duas áreas no país que submeteram candidatura à Unesco, uma é do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais e outro é o Geoparque Bodoquema-Pantanal, que aguardo o título para o mês de junho de 2012, durante o encontro da Rede Global de Geoparques no Japão. Esta região recebeu a visita das pesquisadoras, Sylvie Giraud, da Alemanha, e Luise Frey, da França nos dias 19 e 20 de junho após encaminhar o dossiê da região.
Na definição da Unesco, Geoparque é um território com limites definidos e que possui sítios de grande valor científico. "Os geoparques ajudam no desenvolvimento local, mas sem restrições aó público ou à agricultura e a pecuária", simplifica Burigo. "Além disso, estas áreas se tornam visíveis para o mundo após o título", acrescenta a chefe do Departamento de Turismo da UEPG, Jasmine Moreira.
O professor do Departamento de Geociências lembrou ainda que dentro dos Geoparques ficam localizados os geossítios, que são locais que apresentam patrimônio geológico ou palenteológico. A região dos Campos Gerais, apesar de não ser um Geoparque, já conta com alguns geossítios catalogados pela Comissão Brasileira de sítios Geológicos e Paleobiológicos. Entre eles, a Cachoeira da Santa Bárbara no Rio São Jorge, a furna do Buraco do Padre, o Canyon Guartelá, a Lagoa Dourada, Vila Velha além das Estrias Glaciais de Witmarsun. "Além dos vários geossítios, nós somos há anos referência nacional para estudos", destaca. Na próxima semana, Ponta Grosssa irá receber mais uma vez um grupo de alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, interessados nos geossítios da região.
Este, conforme o professor, é mais um ponto positivo para a implantação do Geoparque dos Campos Gerais, já que o título da Unesco tem base na Conservação, na Educação e no Geoturismo. Estes três pontos já são realidade nos Campos Gerais. Com o Geoparque formalizado, a comunidade da região contemplada pode se beneficiar com a atividade turística. "Podemos pensar no desenvolvimento de geoprodutos, a exemplo do que outros Geoparques já fazem", avalia.
Para que o Geoparque dos Campos Gerais se torne realidade, os idealizadores buscam o apoio dos atores locais. "´Hoje, os municípios mais receptivos à idéia são Tibagi, Castro e Piraí do Sul", elenca Burigo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Se você já conhece ou tem interesse de conhecer Ponta Grossa e região, favor deixar seu comentário.